VASSALOS DE LUXO – Os verdadeiros vilões (Parte 2)

Por: Julio Correia Neto | 5 de junho de 2018

Quanto mais se tem, materialmente falando, mais se quer. Mas a pergunta que deve ser feita é a seguinte: para que se quer?

Por que será que alguns possuem uma necessidade incompreensível de acumular riquezas? Por que será que estes necessitam se sentir no comando, dominando, sendo o senhor das decisões, enganando (estão enganando a quem?)? Por que será que muitos desses mesmos tendo tanto lotam os consultórios de psicólogos, psiquiatras e psicoterapeutas buscando compreender um vazio tremendo que lhes aperta o peito e torna a vida muitas e muitas vezes sem sentido? Por que estão correndo tanto atrás de programas de meditação e yoga na India? Por que o suicídio cresce entre os afortunados? Por que será que tem que destruir a vida de milhares de outros semelhantes dominados por uma ganância cega que lhes conduzem a atos de corrupção, desvios, fraudes, sonegações, assassinatos ou simplesmente a massificação de crenças e dogmas mentirosos?

Os Vassalos de Luxo são assim. Mostram-se fortes, mas geralmente são uns fracos. A covardia de suas atitudes demonstra o quão frágeis são. De quantos já escutei a seguinte expressão: ‘estou cansado de fingir ser algo que não sou’. E eu lhes pergunto: ‘mas por que estão finges?’. Respondem: ‘pela obcessão de ter mais e mais dinheiro e reconhecimento’. O que podemos dizer dessas pessoas? São verdadeiros mendigos ambulantes clamando por atenção. Doentes emocionais clamando desesperadamente e inconscientemente por ajuda. Mas não se permitem ajudar. Triste concluir, mas a humanidade é dominada por doentes emocionais que clamam desesperadamente por luz. Precisam o tempo todo de atenção.

E com isso, aplicam toda a sua inteligência e energia (e dos seus recrutas vampirizados por sua falsa retórica) na busca de soluções que saciem sua fome por controle, para que se sintam cada vez mais especiais, mais admirados, mais poderosos. Dai nasceu o pré-conceito, a descriminação, a classificação humana, a segregação gerando desavenças, conflitos, guerras e destruição.

O homem doente contaminando a atmosfera com uma energia densa, pesada. A valorização excessiva do belo artificial utilizado como vestimenta para encobrir as carências profundas entranhadas no ser.

Por que se alimenta tanto o glamour das monarquias?

Por que se enaltecem tanto as celebridades impostas?

Por que tantos se envenenam pelo luxo?

Por que alguns precisam passar em alta velocidade por ruas residenciais com motos barulhentas?

Por que se criam marcas e produtos exclusivos?

Por que ficar se exaltando nas redes sociais por superação em provas atléticas? Ou se mostrando exercitando em academias?

Por que muitos necessitam de se expressar gritando, muitos beirando a histeria disfarçada?

Por que existem tantos teimosos que se fecham a novas oportunidades de aprendizado?

E antes que venham me criticar que estou criticando a riqueza eu digo: não estou desdenhando da riqueza, mas sim a maneira como ela é desejada.

Estamos mergulhados em um profundo círculo vicioso. Inverdades foram criadas e continuam sendo alimentadas para ocultar o verdadeiro problema da humanidade: a necessidade de se mostrar especial e superior a tudo e a todos, mesmo sabendo o quão frágeis e perecíveis somos. Carentes. Medrosos. No meio disso tudo tem o inconformismo com a morte. Estes seres doentes precisam de todas as formas ‘gozarem’ de todos os prazeres terrenos que forem capazes durante a sua permanência por aqui. Acreditam piamente que alcançarão a redenção na suposta outra vida.

Tantas histórias fantasiadas. Tantas ideologias fabricadas. Tanto conhecimento real oculto.

O comportamento dos Vassalos de Luxo diz muito do porque estamos mergulhados neste caos humano.

O mundo valoriza a fragilidade do homo sapiens pelo simples fato de ser mais fácil de manipular os conduzindo a acreditar que a vida nada mais é do que um conjunto de modismos, consumismo, esperança propagadas por falsos profetas, histórias da carochinha, regrinhas de ouro para se atingir o sucesso e a felicidade. Se a vida realmente for isso nada mais é do uma grande falácia.

Continuaremos na Parte 3.

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