Desorientados LTDA

Por: Julio Correia Neto | 14 de julho de 2015

As pessoas andam a cada dia mais desorientadas, mais perdidas, perdendo cada vez mais o poder de análise e interpretação de fatos e informações. Tornaram-se repetidoras e multiplicadoras de opiniões alheias, muitas e muitas vezes sem um pré-julgamento adequado.

É estarrecedor o aumento do nível de manipulação pelo marketing, pela mídia, por grupos de interesse, por inúmeros sites tendenciosos que cegam o verdadeiro caminho da verdade.

A quantidade crescente de literatura de contribuição superficial e de atrofia ao engrandecimento intelectual e de consciência das pessoas. Estamos sendo bombardeados por pensamentos e entendimentos de terceiros, que possuem visões, anseios e desejos particulares.

Estamos sendo direcionados a enxergar aquilo que desejam que enxerguemos e da forma que atenda a interesses contrários a proliferação da verdade. Vejo vídeos forjados nas redes sociais buscando gerar ódio, revolva e raiva sendo compartilhados sem o mínimo de cuidado, sem o mínimo de percepção de que se trata de teatralização com o objetivo único de gerar “perturbações comportamentais”.

Por que vivemos a cultura de se propagar tanta desgraça, tanta porcaria, tanta coisa negativa? Por que não se propaga sentimentos positivos, imagens positivas, entusiasmo, perspectivas? Porque existem tantas pessoas com a possibilidade de mudança que não saem da pose do discurso e entram em ação?

Pessoas pagando ágio por veículo novo, em um país mergulhado em uma ‘anunciada’ crise econômica, levadas por técnicas persuasivas de marketing, tudo em prol da valorização da vaidade, do orgulho e do ego, da ostentação, infelizmente, traço marcante de nossa sociedade. Ondas de violência sendo claramente plantadas e propagandeadas para desviar a atenção, enquanto a roubalheira, as fraudes, os acordos de bastidores vão correndo solto.

Enquanto novas Leis, arrochos fiscais safados, contenções de orçamento público inverídico vão descendo goela abaixo do povo. Sem contar os atores do lava-jato, propinoduto, mensalão que vão sendo esquecidos, colocados gradativamente de lado, enquanto novos personagens vão tomando a cena pública.

Corruptos passados sendo absolvidos. Nossa quanta lama é jogada em nossas cabeças, subterrando nossos conscientes, dividindo cada vez mais uma população já com pouco espírito coletivo. Sinto-me sentado debaixo de um caminhão betoneira que derrama concreto sobre minha cabeça, incessantemente. Clamamos por investimentos em Educação, Saúde e Transportes.

Mas deixamos acontecer e vibramos no início, quando elegeram o Brasil para os Jogos Pan-Americanos, para a Copa do Mundo e para as Olimpíadas. Bilhões jogados no lixo. Alguém acredita que existem governantes interessados em realmente investir em Educação? O nível de roubalheira continuaria igual com pessoas mais esclarecidas? Alguém acredita que existem governantes interessados em realmente investir na Saúde?

Pessoas saudáveis e que vivem em condições humanas dignas são mais questionadoras, tem suas capacidades cognitivas ‘não deturpadas’. E quanto aos transportes? Quanto maior a confusão urbana, seja com engarrafamentos, seja nos ônibus, seja nos trens ou metrô, seja na insegurança, maior será o desgaste das pessoas, maior será o nível de stress e, consequentemente, maior o nível de doenças e menor o tempo com a família, com os estudos, com o seu desenvolvimento e esclarecimento.

Alguém acredita que exista real interesse de se fazer algo diferente com o atual sistema vigente há anos? Aonde partidos se apresentam como opositores no palco, mas agem de mãos dadas nos jogos de bastidores? Enquanto não tomarmos consciência que somos dependentes de uma oligarquia nacional dominante, de um sistema capitalista externo exploratório e de uma classe política que se beneficia da ignorância e da doença para benefício próprio, nunca, definitivamente nunca, teremos a grande maioria saindo do atoleiro.

Continuaremos com uma ‘elite’ acuada, reclusa e aprisionada pelo medo, pela insegurança dos grandes condomínios, dos carros blindados, da reclamação, do protesto e da voz fraca e individualista.

Destaco o trecho de uma declaração de uma brasileira residente no exterior que exemplifica bem este artigo:

“Para completar ainda tem a discussão nas redes sociais, muita coisa triste de ler – um misto de ignorância e desespero. Um senso nulo de entendimento coletivo dos problemas. Como se aumentar o policiamento para abafar os crimes na zona sul do Rio fosse de fato transformar o Brasil em alguma coisa melhor no futuro. Como se o valor da vida humana estivesse atrelado ao CEP da residência. O médico morreu e os pivetes que cometeram essa barbaridade já nasceram mortos. Ou será que alguém nasce com o sonho de virar pivete para esfaquear um médico na Lagoa? Mas isso parece não ser o problema para muitas pessoas. Que tristeza me dá ler essas coisas. E que tristeza me dá constatar meu alívio por não estar no Brasil. Aqui na Alemanha vivem muitos estrangeiros. Gente que escolheu viver aqui e gente que veio para cá porque não podia mais seguir vivendo nos seus países. Sempre tive muita pena dos últimos. Os sem opção. Que triste ser obrigado a sair do seu país, deixar tudo para trás (às vezes em condições subumanas) vir para cá, tentar aprender esse idioma dificílimo, se estabelecer profissionalmente e começar uma vida nova do zero. Que tristeza se sentir aliviado por conseguir uma chance de estar aqui, longe da sua família, da sua terra. Tudo isso porque a vida no seu país é inviável. Hoje senti pena de mim também. Apesar de eu ter vindo para Alemanha por escolha, voltar para o Brasil é cada vez menos uma alternativa. Se as coisas não melhorarem, em alguns anos talvez eu seja mais um desses milhões de cidadãos espalhados pelo mundo que vem de países onde simplesmente não se pode morar”.

Só para ilustrar o nível de imbecilidade, recebi um post contando a história de uma cantora evangélica que publicou um selfie transando com o pastor. PELO AMOR DE DEUS.

E como este, temos exemplos aos montes. Quando sairemos deste estado primitivo que assola as vidas e os gostos por mediocridade? E termino com esta declaração da Márcia Amil, ex-mulher do médico assassinado no Rio de Janeiro:

“Nem sei se foram menores, mas sei que Jaime foi vítima de vítimas, que são vítimas de vítimas. Enquanto nosso país não priorizar saúde, educação e segurança, vão ter cada vez mais médicos sendo mortos no cartão postal do país. São gerações de vítimas do nosso sistema. O ser humano caiu no valor banal, onde não existe o menor valor humano“.

Até quando vamos nos permitir FUGIR DA VERDADE, ACEITAR A MENTIRA, VIVER NO CONFORMISMO E NO EGOISMO, MERGULHARMOS NO VITIMISMO E NA CULPA, SERMOS ENGANADOS EM TUDO E DE TODAS AS FORMAS, CONTINUARMOS NOS ACHANDO ‘OS TAIS’, APESAR DE TUDO DE NEGATIVO QUE ACONTECE A NOSSA VOLTA? Estamos pagando o preço de nossas escolhas. É difícil de aceitar, mas é a mais pura verdade.

Reflita, com sua mente limpa de preconceitos e crenças.

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